quarta-feira, 12 de março de 2014

Fé de Mais...

Como fazia toda sexta feira ele caminha em direção ao terminal de ônibus metropolitano da grande Curitiba. Eram quase dezessete horas, horário em que o movimento começa a aumentar com as pessoas apressadas para chegar em casa. Seguindo a regra esta vestindo camisa branca, gravata azul marinho e terno cinza, muito gel no cabelo curto penteado meticulosamente do lado direito para o lado esquerdo de sua cabeça, com cada foi em seu devido lugar deixando a mostra grandes orelhas. Fisionomia muito séria passando muita tranqüilidade, respeito e acima de tudo uma confiança em si anormal, beirando mesmo a arrogância. Não tinha mais do que vinte e cinco anos. Com sua mão esquerda vem arrastando uma enorme mala preta, presa a rodinhas que fazem um ruído enorme anunciando assim sua chegada e em baixo do braço direito a Bíblia Sagrada. Ritualisticamente posicionasse ao centro do terminal. De dentro da mala retira uma caixa de som amplificada ligada a uma bateria de carro. Conecta a ela um microfone e com o dedo indicador da três batidas na ponta e diz: - Testando, um, dois, três... Alguns curiosos já vão parando e observando enquanto ele vai dando os últimos ajuste no som, ajeitando uma urna, como as de votação só que em plástico transparente, que serve para receber os donativos e montando uma pequena plataforma que retirou também da mala que utiliza para poder ficar mais alto do que os ouvintes. Agora já em pé na plataforma com o microfone em uma das mãos e a Bíblia aberta na outra fala com um tom de voz elevado e muito firme inspirando muita confiança: - Aleluia irmãos. Alguns transeuntes menos atentos se assustam com o barulho assim como outros que estavam mais afastados vão se aproximando para ver o que acontecia. Em poucos minutos ele esta completamente rodeado, como uma cadela no cio. Como de praxe segue aos gritos declamando versículos, passagens, parábolas, Mateus, Lucas, Pedro, etc, etc, etc. E sempre que percebe algum tipo de desinteresse ou distração das pessoas ao seu redor não hesita em gritar com plenos pulmões: - Aleluia irmãos. O que era prontamente respondido pelos ouvintes em uníssono. - Aleluia. Alguns metros dali parada diante de um mural, onde as agências de emprego colam seus cartazes oferecendo vagas, esta dona Matilde das Dores absorta olhando para aquilo como quem olha para uma obra de arte, pois como é analfabeta somente as cores lhe chamam a atenção. Mas como todo bom filho desta nossa ingrata terra, não passa aperto e logo arruma uma mocinha para ler os anúncios para ela. Seguindo as orientações da robusta senhora a menina com certa dificuldade começa: - “Auchiliar” de cozinha. Salário mínimo, vale transporte, 1° grau “compreto”. E dona Matilde resignada: - Esse não dá minha filha, lê aquele fazendo o “favô”. - “Auchiliar” de serviços gerais. Masculino, maior com experiência de 2 anos. Dona Matilde mostrando um sorriso desdentado diz: - “Vixe” filha, só se eu virá “homi”. E assim a menina com seus dezessete anos, corpo franzino contrastando com sua saliente barriga de gestante, segue lendo os anúncios. Enquanto a menina lia o último anúncio abatesse em dona Matilde um desanimo tremendo quase um desespero, pois sabia que voltaria mais um dia para casa sem emprego, dinheiro, dignidade e praticamente sem esperança. Com os olhos marejados agradece a menina e caminha em direção ao centro do terminal carregando consigo e fazendo justiça ao seu nome, todas as dores de uma vida humilde ou melhor humilhante. Como uma águia a avistar sua presa ele nota aquela senhora desiludia caminhando em sua direção e raciocinando extremamente rápido percebe a oportunidade. Antes mesmo que dona Matilde pudesse compreender o que acontecia estava cercada pelos braços do rapaz que falava complacente mas muito decidido para que todos pudessem ouvir: - Aleluia, irmãos. Temos aqui uma irmã desiludida, sem esperança, um prato cheio para o demônio que fica nos espreitando só esperando nos abatermos e assim nos dominar. Não desanime, fé irmã, pois nosso senhor Jesus Cristo filho de Deus todo poderoso, onipotente, onisciente, senhor do céu e da terra, AMA VOCÊ. Aleluia irmãos. A senhora vendo toda aquela gente ao seu redor olhando para ela com uma mistura de curiosidade e pena, aquele rapaz gritando em seu ouvido mais o fato de estar cansada por procurar emprego o dia inteiro além das dificuldades de uma vida dura, fica extremamente nervosa e desata em um choro compulsivo que é prontamente amparado pelo rapaz que a aninha em seu braço falando carinhosamente: - Aleluia irmãos. Não tenha vergonha irmã o choro faz bem a alma. Foi Deus nosso senhor que nos presenteou com as lágrimas para que possamos aliviar nossas tristezas e frustrações. Isso mesmo chore. Chore muito. Desabafe ponha tudo para fora. Aleluia irmãos. Algumas mulheres ao redor vendo aquela senhora chorando copiosamente se compadecem e começam a chorar também e em um gesto quase que impulsivo a abraçam e em meio aos soluços dizem: - Aleluia, aleluia. Mal conseguindo controlar a satisfação de ver seu plano dando certo, o rapaz incita ainda mais as pessoas com palavras fortes, frases feitas e muitos, mas muitos, gritos de: - Aleluia irmãos, aleluia. Agora muito mais calma depois do desabafo dona Matilde sente-se completamente renovada como que de cima de seus ombros tivessem retirado o mundo. Percebeu que havia pessoas que se importavam com o que ela sentia. Pessoas que ela nunca havia visto, completos estranhos que entendiam sua dor e desespero. Pessoas assim como ela que conheciam o sofrimento, o trabalho duro ou pior a falta do trabalho, a humilhação e as dificuldades da vida. Essa surpreendente descoberta encheu seu coração de esperança. Sentia que poderia vencer qualquer desafio e nunca mais ficaria desamparada, pois sempre existiriam pessoas boas prontas a lhe estender a mão. O rapaz percebendo a senhora com ânimo renovado grita entusiasticamente: - Aleluia. Diante de nós uma prova da bondade de Deus, pai, nosso senhor. Com sua infinita sabedoria e misericórdia renovou o ânimo dessa irmã, afastando o demônio que a espreitava como cobra peçonhenta. Dona Matilde quase que em estado de êxtase segurando a mão do rapaz grita em meio a multidão: - Aleluia. Obrigada meu Deus. Aleluia. Antes de ir embora agora carregando consigo um santinho que ganhou do rapaz para que usasse toda vez que se sentisse desamparada, dona Matilde tira da bolsa seus últimos dez reais e sem hesitar nem mesmo por um segundo, coloca dentro da pequena urna dos donativos que estava quase cheia. Afinal de contas o dinheiro não era nada comparado ao bem estar e paz de espírito que ela experimentava. Como sempre cerca de duas horas depois de chegar ele começa a desmontar seus equipamentos de trabalho. Primeiro confere os donativos, quase sessenta reais. Depois guarda a caixa de som, o microfone, a urna agora vazia e a plataforma dentro da mala. As pessoas como sempre acontecia já haviam seguido seus caminhos e não mais se importavam com o rapaz. Quando se preparava para ir embora sente que o bolso de seu terno esta tremendo. Com toda calma do mundo retira de dentro dele um pequeno aparelho celular menor do que a palma de sua mão e tão fino quanto a mais avançada tecnologia permite. - Alô. - Marcelo? - Sim, quem é? - É o Edir. E aí rapaz tudo em cima? - Oh, Edir tudo na maior, ou como diria meu tio, do jeito que o diabo gosta. - Que bom. Então tudo certo pra hoje à noite? - Claro. Você acha que eu perderia a inauguração da “Boite Tropicaliente” onde estão as garotas mais belas da capital? - Que bom. É que eu achei que você estava sem dinheiro? - O dinheiro nunca falta para quem tem fé, meu amigo. Não são apenas montanhas que a fé movimenta. Movimenta também a máquina que não pode parar. - Há! Então o novo “bico” que você falou realmente esta dando dinheiro? - Como nunca meu amigo, como nunca! Mas é isso aí. Nos encontramos lá. Tchau. - Ok. Tchau. Com a mesma confiança que chegou segue arrastando com a mão esquerda a grande mala preta e em baixo do braço direito a Bíblia Sagrada.

sexta-feira, 7 de março de 2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

Fórmula para Imortalidade

“100% das pessoas morrem”. Isto é um fato. È a incontestável condição humana. Nascemos, crescemos e morremos. Mas outra condição humana é a inconformidade em aceitar os fatos como eles são. Por isto buscamos insaciavelmente a longevidade, a fonte da juventude, a vida eterna em vida. Os motivos para esta busca incessante são os mais variados possíveis, entre eles a vaidade e medo da morte. O medo da morte gera explicações para o que vai acontecer depois que deixarmos o corpo físico nas mais diversas teorias e vertentes religiosas e filosóficas. A maioria das destas vertestes dize que após a morte iremos receber as recompensas ou castigos de acordo com as nossas atitudes em vida, com pequenas variações entre as recompensas e os castigos. Entre algumas das recompensas dizem que iremos para o paraíso e ficaremos sem fazer nada numa eterna monotonia ou que lá teremos mil virgens para nosso deleite. Entre os castigos, que iremos queimar no fogo do inferno ou no mármore do capeta sempre eternamente sem apelações ou redenção. Já a vaidade gera tratamentos de beleza, cirurgias plásticas, aplicação de botox, regimes mirabolantes para obter o corpo perfeito e com ele uma vida mais longa, já que para a morte não tem jeito mesmo. Mas a preocupação é sempre a mesma, que iremos morrer. Quando na verdade deveríamos nos preocupar em como estamos vivendo. Como nossa preocupação é a morte não damos valor à vida, por isso ela hoje em dia vale tão pouco. Buscamos a fórmula para imortalidade para viver em um mundo cão. E por tanto buscar acabamos conseguindo encontrá-la. Isso mesmo, a fórmula para nos tornarmos imortais esta bem debaixo de nossos narizes e a praticamos diariamente mesmo sem percebê-la. É simples querem ver? Toda vez que você passar por um mendigo deitado na rua vire o rosto e siga sua vida. Toda vez que você ver um menor abandona pedindo esmola em um semáforo feche o vidro escuro de seu carro e siga embora. Toda vez que você ver uma menina se prostituindo nas margens de uma rodovia, em quanto você vai para praia, siga em frente e não denuncie. Toda vez que você puder tirar proveito de alguma situação não hesite, mesmo que isto prejudique aos outros, lembre-se o mundo é dos espertos. Toda vez que você ver alguém ser assediado sexualmente ou moralmente em seu trabalho não diga nada. Toda vez que você souber que existe um traficante em sua rua não denuncie. Toda vez que você ver alguém ser descriminado por sua cor, raça, religião ou opção sexual deixe pra lá, não é com você. Toda vez que você ver no jornal que os políticos desviaram verbas da saúde, educação, saneamento básico, para proveito próprio desligue a televisão e vá dormir. Toda vez que você ouvir um marido bêbado batendo na mulher e filhos, feche a porta de casa e não se meta, pois em briga de marido e mulher não se mete a colher. Toda vez que você se omite e deixa as coisas acontecerem sem fazer nada você morre um pouco até atingir ao estado de morto vivo e em então a tão sonhada imortalidade. Pois como todos sabemos o que já está morto, não pode morrer.

terça-feira, 4 de março de 2014

Escrita Livre

É uma técnica em que se escreve continuamente durante um período de tempo determinado, sem atenção à gramática, ortografia, pontuação, ou mesmo tema. Produzem-se textos “crus”, geralmente material que não se pode utilizar tal e qual, mas esta prática pode ajudar a ultrapassar bloqueios, apatia, excesso de auto-criticismo e auto-censura, receio de falhar ou qualquer outra forma de resistência. Também pode ser usado para “descobrir a sua voz”, ou seja, quando queremos escrever, mas achamos que não sabemos como ou sobre quê. Ou ainda quando escrevemos textos muito certinhos, mas talvez monótonos, e gostaríamos de algo mais “despenteado”. Alguns escritores utilizam esta técnica para juntar pensamentos e ideias iniciais sobre um tema, como trabalho preliminar para uma escrita mais formal. Pode ainda ser utilizada para tornar mais “orgânica” a transcrição do fluxo de pensamentos (fluxo de consciência) de uma personagem numa narrativa. Natalie Goldberg combina este processo com os princípios da prática de meditação, encorajando a atenção consciente dos pensamentos durante o processo. Regras Determinar um tempo limite, geralmente, 5, 10, 15 minutos de escrita. Ou um número de páginas pré-estabelecido (2, 3..).. Findo esse tempo, parar. Se quiser usar a escrita livre como base de escrita, tem de estabelecer uma rotina. Não fique à espera de ter vontade de escrever. Pois pode nunca ter. Este tipo de escrita ensina que não temos de ter “vontade” ou de nos sentir “inspirados” para escrever. Manter a mão (caneta) em movimento…. Não parar para pensar ou para ler o que se já escreveu. Não riscar o que se escreveu. Páre de julgar. Apenas escreva. Não se preocupar com a gramática, sintaxe, ortografia, pontuação, tema, etc. Não é o tipo de escrita para se dar a ler a outrém, não importa a qualidade do texto mas apenas e somente o ato de escrever. Se se sentir “bloqueado”, escrever isso mesmo, “não sei o que escrever” ou repetir a última palavra escrita as vezes que forem necessárias. Não se preocupe com lógica, nem em escrever “bem”, não há forma de errar. Não é suposto ser “arte”. Nem mesmo escrita propriamente dita, qualquer pessoa pode utilizar este método. Confie em si, confie no processo. No final, pode reler (ou então deixar passar algum tempo) e eventualmente sublinhar passagens e ideias interessantes que possam vir a ser desenvolvidas posteriormente.

Alma Gêmea

Alma Gêmea Conversava com uma amiga, apesar de não acreditar que possa existir somente amizade entre homens e mulheres, afinal sempre um dos dois terá segundas intenções e neste caso eu, e ela com seus lindos olhos verdes e um leve sorriso me pergunta? - Somos amigos há muito tempo Leo. Você me conhece melhor que ninguém. Sabe que sou romântica. Será que é tão difícil encontrar minha alma gêmea, minha cara metade. Alguém que me compreenda, que me ame e respeite como eu sou com meus defeitos e virtudes. Que tenha interesses semelhantes aos meus, alguém em quem eu possa confiar. Que me passe segurança e tranqüilidade. Alguém com quem eu possa dividir minhas angústias e sofrimentos. Que possa ficar sentado juntinho assistindo televisão. Passear de mãos dadas no domingo comendo pipoca no parque? Confesso que tive vontade de segurá-la nos braços, chacoalhá-la e gritar: - E eu aqui sua louca! Sou invisível? Mas não. Como sempre fazia preferi não arriscar acabar com nossa suposta “amizade” a declarar o que sentia e ficar sem nada. É estranho como nos acomodamos facilmente e passamos a acreditar que covardia é sensatez. Que ter um amor, mesmo que platônico, é melhor do que não ter amor nenhum. Então falei: - Existe um ditado popular que diz, quando Deus quer nos castigar Ele atende as nossas preces. E como quase tudo que vem do povo, isto é simples e correto. É sabido que pedimos sempre o que não precisamos, mas aquilo que achamos que precisamos. Você diz que quer encontrar sua alma gêmea certo? - Sim, alguém que me complete. - Ok. Primeiro vejamos o que é uma alma gêmea. - Eu já disse! Alguém que faça minha vida um pouco menos sem sentido. Que queira envelhecer junto comigo. Que não se importe se eu ficar gorda ou feia. Essas coisas. - Quanto a ficar feia você não precisa se preocupar Carol, sua mãe é uma “coroa” enxuta. Eu por exemplo não ligaria de dar uns “pega” nela. – risos. - Leo! Seu sem vergonha. – risos - Eu vou contar para ela. - Pelo amor de Deus Carol, não faça isso. Estou brincando! - Eu sei. Mas então o que vem a ser uma alma gêmea para você? - Das muitas teorias da existência das almas gêmeas a que eu mais gosto é a que diz que todas as almas no início foram criadas simples e ignorantes sem distinção de sexos, para que pudéssemos atingir ao objetivo de nossa criação, nos tornarmos seres perfeitos, a imagem e semelhança de Deus. Quando fomos enviados para a terra para iniciar nosso aprendizado fomos separados em dois. A claridade e a escuridão, o bem e o mal, yin e yang, macho e fêmea. Daí vem essa constante sensação de que nos falta algo ou alguma coisa, ou seja, a sua outra metade. Aquilo que nos tornará novamente uno, inteiro. - É por isso que eu gosto de estar com você Leo. Apesar de algumas vezes você me deixar louca com esse seu ar de superioridade de quem sabe tudo. - Só sei que nada sei, Carol. E o que eu não sei, invento – risos. - Viu o que eu disse. - Voltando ao assunto Carol. Se partirmos do princípio de que procuramos nossa outra metade, aquilo nos falta e que nos fará sermos pessoas melhores, nossa alma gêmea seria alguém que nos faria crescer. Que nos causaria mudanças. Essas mudanças causariam inquietação e com ela viria o atrito. Ela nos mostraria nossos defeitos o que nos tiraria do sério. Viveria nos questionando fazendo com que sempre analisássemos nossas atitudes e decisões. Muitas vezes nós teríamos vontade de matá-la. Nossos interesses seriam opostos, nos fazendo assim abrir nossos horizontes para novas experiências e perspectivas de vida. A última coisa que teríamos ao lado dela seria tranqüilidade e conforto. Lembre-se ela seria o que nos falta, o que nos complementa. - Há esta bem! Então você quer que eu acredite que minha alma gêmea será alguém que me fará sofrer. Uma pessoa horrível. Que não tem nada haver comigo? - Não foi isso que eu quis dizer. Foi você que disse que procurava sua alma gêmea, mas na verdade procurava sua imagem no espelho, ou seja, você só que invertida. Ela fica lindamente parada durante alguns segundos pensando, depois com seu costumeiro sorriso fala. - Não gosto mais de você Leo! Porque você foi me fazer enxergar essas coisas. Eu estava tão feliz com minha ignorância. Com minha fantasia de encontrar um príncipe encantado, mas agora sei que na verdade ele será um sapo. - Infelizmente esse é o preço que se paga. Quanto maior o conhecimento maior o sofrimento. - Então estamos destinados ao sofrimento, a infelicidade? - Claro que não. É aí que entra a beleza da coisa. Quando você encontra essa outra metade você não consegue ficar longe dela. Afinal ela te completa. É uma mistura de amor e ódio, inquietação com tranqüilidade. Ao mesmo tempo em que ela te instiga a procurar novos horizontes se arriscar, te passa segurança. Você tem vontade de bater e de segurar no colo. É o eterno paradoxo. O bem e o mal, Yin e o Yang... Então noto que enquanto falo, ela me olha profundamente, com aqueles lindos olhos verdes e com os lábios carnudos semi abertos, como se tivesse descoberto algo realmente importante que só percebeu agora, e com um sorriso matreiro diz. - Interessante... do Livro Calamário o Livrinho Temerário.

segunda-feira, 3 de março de 2014